O Adversário

Emmanuel Carrère

Alfaguara, 2026

Na manhã de 9 de janeiro de 1993, um sábado, enquanto Jean-Claude Romand matava sua esposa e seus filhos, eu participava com minha família de uma reunião pedagógica na escola de Gabriel, nosso filho mais velho. Ele tinha cinco anos, a idade de Antoine Romand. Em seguida, fomos almoçar na casa dos meus pais, e Romand, na casa dos pais dele, a quem matou depois da refeição. Passei sozinho, no meu escritório, a tarde de sábado e o domingo, dias normalmente dedicados à convivência, porque estava para concluir um livro em que vinha trabalhando havia um ano: a biografia do romancista Philip K. Dick. O último capítulo contava os dias que ele passou em coma antes de morrer. Terminei na noite de terça, e na quarta-feira de manhã li o primeiro artigo do Libération dedicado ao caso Romand.

Em 9 de janeiro de 1993, Jean-Claude Romand matou a esposa, os dois filhos, os pais, o cachorro deles - e tentou fazer o mesmo com uma ex-amante. Por fim, encenou um incêndio na casa onde morava, planejando tirar também a própria vida. As investigações sobre essa tragédia, contudo, acabaram revelando muito mais: Romand não era quem dizia ser, um médico renomado que trabalhava para a Organização Mundial da Saúde. Por quase duas décadas, sustentou uma imensa mentira e, perto de ser descoberto, deu fim àqueles cujo olhar não suportaria

Impactado por essa história brutal, Emmanuel Carrère começou a corresponder-se com Romand antes, durante e depois de seu julgamento, na tentativa de entender suas motivações e como chegou a um ato tão extremo. O resultado é um livro inquietante e inesquecível, que se tornou um clássico da literatura contemporânea.

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