| crítica e reportagem |
“O caso Carrère”
Eu escreve: Dilemas da escrita de si. Org. de Gabriela Aguerre e Natalia Timerman
Record, 2025
clique na capa e conheça o livro no site da editora
Uma faixa azul-escura abraça a capa da nova edição francesa de um ensaio antigo de Emmanuel Carrère. “O real é apenas uma opção”, alardeiam letras brancas imensas na cinta, embaixo do título do livro: Uchronie. Nós, contemporâneos da pós-verdade, estamos acostumados com afirmações desse tipo - tudo são versões, narrativas etc. Estampada num livro de Carrère, no entanto, essa frase assumidamente marqueteira é também a ponta visível de camadas e camadas de reflexões que, por quase cinquenta anos, o autor francês acumulou. A realidade, suas instabilidades e seus pactos, suas representações e fronteiras na literatura são território conhecido de Carrère, e, por isso, uma frase assim soa como senha de entrada para se percorrerem muitas trilhas e caminhos em sua obra.
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Autores que integram a coletânea: Adriano Schwartz, Amara Moira, Andrea Saad Hossne, Anna Faedrich, Bianca Santana, Bruna Mitrano, Camilo Gomide, Diana Klinger, Felipe Charbel, Gabriela Aguerre, Ieda Magri, Isabela Cordeiro Lopes, Joselia Aguiar, Júlian Fuks, Júlio Pimentel Pinto, Lubi Prates, Luciene Azevedo, Mariana Delfini, Natalia Timerman, Samara Lima, Tatiana Salem Levy, Trudruá Dorrico, Yasmin Santos
Composição
Projeto original para o Sesc Digital realizado em 2023, que tem como matéria-prima o casamento entre um espetáculo de teatro, a fotografia e o texto jornalístico.
Fotografia de Dani Sandrini, texto de Mariana Delfini. Edição de Dani Sandrini e Mariana Delfini
clique para conhecer cada projeto no site Sesc Digital
“Este livro é um silêncio estrondoso”
revista Quatro Cinco Um, out. 2021
Fazia cinco anos que Clarice Lispector (1920-77) havia publicado seu último livro, A hora da estrela, e em seguida morrido, quando o filósofo e crítico literário paraense Benedito Nunes sintetizou em uma formulação precisa as três histórias da novela da autora: a primeira era a de Macabéa, a segunda, a do narrador Rodrigo S.M., que reflete a sua vida na da personagem, “acabando por tornar-se dela inseparável, dentro de uma situação tensa e dramática de que participam e que constitui a terceira história — a história da narração mesma, ou seja, o curso oscilante, digressivo que ela tem, a preparar a sua matéria, a retardar a sua fabulação”.
Desde o ano passado as celebrações do centenário de nascimento da escritora se prolongam. A partir do dia 23 de outubro, o Instituto Moreira Salles (IMS) inaugura em São Paulo a exposição Constelação Clarice com quadros, fotos e objetos da autora e outras obras de artistas contemporâneas suas. Ao lado da exposição, uma das principais iniciativas das comemorações foi o lançamento, em maio, dos manuscritos de A hora da estrela em edição numerada de grande formato pela francesa Les Saints Pères (no Brasil, SP Edições).
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“Clarice Lispector e seu lado pintora”
caderno Eu &, Valor Econômico, out. 2021
Quando, no início de 1922, o navio Cuyabá aportou em Maceió, a pequena Haia, que vinha a bordo, contava um ano de idade, segundo o passaporte familiar dos Lispector, imigrantes que fugiam da violência e da pobreza na Ucrânia. Haia virou Clarice, Clarice se tornou a escritora brasileira Clarice Lispector, que mentia a idade e cujos documentos por vezes confundiram o dia correto de nascimento, 10 de dezembro de 1920.
Esse relaxamento em torno de uma data oficial vem a calhar na celebração do centenário da escritora, que começou em 2020, com reedição de obras suas e falas de estudiosos, e alcança agora um de seus momentos mais interessantes. Trata-se da exposição “Constelação Clarice”, promovida pelo Instituto Moreira Salles (IMS), que, ao lado da Fundação Casa de Rui Barbosa, guarda o arquivo da escritora. A mostra será aberta amanhã (23) em São Paulo e vai até 27 de fevereiro de 2022.
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Ocupação Mirada - Catálogo
Textos críticos sobre espetáculos teatrais apresentados em formato híbrido, para o material de mediação da Ocupação Mirada, do Sesc-SP, out. 2021
clique no link ou nas imagens para acessar o catálogo
“Me escrevam, me escrevam”
revista Quatro Cinco Um, set. 2020
Clarice não dizia sua idade, e apenas a data do falecimento está gravada na lápide no Cemitério Comunal Israelita do Caju, no norte do Rio de Janeiro: 9 de dezembro de 1977. Estabeleceu-se, na maioria dos documentos emitidos depois de sua família chegar ao Brasil em 1921, que foi no 10 de dezembro de cem anos atrás que ela nasceu, em Tchechelnik, um lugarejo na Ucrânia, quando seus pais fugiam das perseguições aos judeus. E é por isso que, neste 2020, ações como a reedição de sua obra completa marcam um ano de comemorações.
O que aconteceu no período de 57 anos entre esses dois dezembros foi reconstituído em biografias e biobibliografias, pesquisas acadêmicas, exposições, reportagens, inúmeras reiterações mais ou menos dos mesmos fatos e declarações, a partir dos primeiros anos depois de sua morte: a infância no Recife e a morte da mãe doente; a Faculdade de Direito, o casamento com o diplomata Maury Gurgel Valente e a mudança para o exterior logo após a publicação do primeiro romance, Perto do coração selvagem, em 1943; Nápoles e o fim da guerra, Berna do “silêncio terrível” suíço…
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“Os loucos do papel velho”
revista Quatro Cinco Um, mar. 2020
Túnel do tempo, reunião de fantasmas, parque de diversões sui generis: são muitas as metáforas que tentam traduzir a emoção de ter em mãos uma carta do poeta predileto do século 19, de ver-se diante de uma caixa com fotografias, diários, bilhetes de uma personalidade admirada, de imaginar como determinado pedaço de papel, pergaminho ou papiro foi escrito, assinado e usado como prova em alguma circunstância em tempos remotos e logrou chegar, sabe-se lá como, até os dias de hoje.
Os manuscritos autógrafos — o dicionário ensina: “escritos pela própria mão” — talvez sejam um dos objetos mais charmosos da onda memorialista que tomou o planeta desde o fim do século passado. Singulares e frágeis, anunciam de imediato um vínculo com a própria fisicalidade de quem os criou e invocam, como símbolo, uma espécie de culto laico do conhecimento.
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Projeto Ficção
Texto de apresentação do livro que celebra dez anos da Cia. Hiato, publicado pela editora Javali (2019)
No entanto, se Ficção busca uma desestabilização, pela dramaturgia e pela exploração do estado de presença dos atores, como se viu, para aproximar teatro e vida, o nó da peça posterior é justamente o imbricamento de vida e obra ao extremo, no limite de tirar o corpo da cena e buscar substitutos diante de sua ausência. Refiro-me à primeira ausência do corpo, na versão de 2 Ficções que simulava a morte do dramaturgo e diretor, mas também à sua ausência do centro do palco nas versões seguintes, e a um possível substituto, que se fez presente desde os ensaios e está na dramaturgia publicada neste volume; refiro-me ao texto, em sua materialidade.
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“O segredo dos seus olhos”
caderno Ilustrada, Folha de S.Paulo, nov. 2019
Não sei dizer por que um homem chinês traria bordada no peito uma frase atribuída a Júlio César. De meias coloridas quase até o joelho, aquele homem debaixo da pirâmide de vidro me deixou aturdida.
O Louvre é uma algazarra de línguas e culturas —mais de 70% dos 10,4 milhões de visitantes do ano passado eram estrangeiros, sendo os chineses o segundo maior grupo, atrás só dos americanos.
No vaivém babélico, identifiquei naquele velhinho excêntrico um oráculo, trazendo em seu colete vermelho desbotado uma mensagem em latim sobre a minha sensação de visitar a exposição que celebra os 500 anos de morte de Leonardo da Vinci — “Vim, vi, venci”.
A excitação que me incutia certo misticismo fora provocada pela expectativa em torno da maior retrospectiva da pintura do renascentista —são 179 peças, entre pinturas, esboços e notas de Da Vinci e obras de mestres e discípulos.
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“A dança da vida”
revista Quatro Cinco Um, out. 2019
É de desconfiar que, para ter merecido o Bologna Ragazzi Award, em 2016, Meu pequenino provoque rebuliço em águas profundas, uma agitação mais intensa do que faz supor uma primeira folheada. Ele pode passar por um singelo flip book de ilustrações delicadas e texto conciso que, através das figuras de uma mãe e um filho dançando pelas páginas, tematiza a hereditariedade e o ciclo da vida. No entanto, por mais precisa que seja essa descrição da obra — mais uma parceria entre os suíços Germano Zullo e Albertine, escritor e ilustradora —, ela não dá conta da densidade do singelo Meu pequenino, publicado no Brasil pela Amelì. Ao se retomar o livro para repetidas leituras, como adoram as crianças, ele revela aberturas para um mergulho vertiginoso no pas de deux de mãe e filho.
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Dramaturgismo
Colaboração com a Cia. Hiato nos espetáculos Ficção (2012) e Odisseia (2018)
Colaboração como dramaturga nos seis solos que compõem o espetáculo Ficção (2012) e, em 2017 e 2018, colaboração como dramaturgista de Odisseia, fornecendo conteúdo teórico que fomentasse a criação e a contribuindo com feedbacks ao longo dos ensaios.
páginas do programa distribuído na primeira temporada do espetáculo, no Sesc Paulista (2018)
Folha de São Paulo
Críticas de teatro, 2017- 2018
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“Som e Caio Blat marcam ‘Grande Sertão: Veredas’”
Sobre Grande Sertão: Veredas, dir. Bia Lessa
21 out. 2017
Em certa passagem de Grande sertão: Veredas, o narrador Riobaldo apresenta o sertão para o “doutor” da cidade com quem conversa sobre sua vida de jagunço: os brejos, os buritis, os bichos, o brilho da noite. Os vários pássaros também, e o bem-te-vi. Riobaldo encuca que “atrás de mim, por toda a parte”, o mesmo bem-te-vi, um só, o persegue: “me acusando de más-horas que eu ainda não tinha procedido”.
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“Peça inspirada em ‘Hamlet’ faz crítica escancarada às elites”
Sobre Dinamarca, dir. Pedro Wagner
6 out. 2017
Não é incomum no teatro brasileiro contemporâneo que o público receba dos atores um copinho de cachaça, uma xicrinha de café ou uns goles de vinho. É parte da “experiência”: em alguns casos, faz bastante sentido. Em “Dinamarca”, a tacinha de espumante distribuída pelo grupo Magiluth é um convite ardiloso. Ao aceitar a bebida, assume-se a cumplicidade em uma festa perversa.
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“Espelhos” poderia ser alocado na extremidade de uma escala que organizasse as maneiras pelas quais a literatura não dramática alimenta o teatro, desde a mera inspiração até a transposição de textos para o palco. O solo de Ney Piacentini, com direção de Vivien Buckup, apresenta “O espelho”, de Machado de Assis, e o conto homônimo de Guimarães Rosa em versão integral, cada palavra dos dois clássicos da nossa literatura.
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“Espetáculo traduz com sucesso o isolamento contemporâneo”
Sobre Nós, os outros ilesos, dir. Carolina Mendonça
25 ago. 2017
“Maravilhamento com palavras move monólogo inspirado em livro híbrido”
Sobre Instabilidade perpétua, dir. Georgette Fadel, Daniella Visco, Julia Bernat e Stella Rabello
30 set. 2017
“Elenco eleva peça para além do retrato trivial de uma família de classe média”
Sobre Se existe eu ainda não encontrei, dir. Daniel Alvim
16 nov. 2017
“Inspirada em Virginia Woolf, peça leva o público para andar”
Sobre Intervenção Dalloway: Rio dos malefícios do diabo, dir. Janaina Leite, Juliana Sanches, Luiz Fernando Marques, Rodolfo Amorim e Ronaldo Serruya
7 dez. 2017
“Humor e drama dão solidez a dilemas de ‘Os guardas do Taj’”
Sobre Os guardas do Taj, dir. Rafael Primot e João Fonseca
19 jan. 2018
“Montagem acerta no tom exagerado da tragédia rodriguiana ‘A serpente’”
Sobre A serpente, dir. Eric Lenate
2 fev. 2018
“Peça sobre violência sexual consegue inquietar público, mas derrapa no texto”
Sobre Enquanto ela dormia, dir. Eliana Monteiro
1º set. 2017
“Peça híbrida convida público a uma experiência com o tempo”
Sobre Tchékhov é um cogumelo, dir. André Guerreiro Lopes
15 set. 2017
“Alegoria sobre viciados em livros é envolvente, mas exige do público”
Sobre Dostoiévski-trip, dir. Cibele Forjaz
10 nov. 2017
“‘Preto’ causa estranhamento em investigação sobre diferenças”
Sobre Preto, dir. Márcio Abreu
23 nov. 2017
“Atuação de Noemi Marinho é o ponto alto da peça ‘Unfaithful’”
Sobre Unfaithful, dir. Lavínia Pannunzio
11 dez. 2017
“Com ótimo elenco, peça relê antropofagia cultural como indigestão histórica do país”
Sobre Guanabara canibal, dir. Marco André Nunes
1º fev. 2018
“Poesia de Maiakóvski se apoia em grande elenco”
Sobre A plenos pulmões, dir. Marcia Abujamra
4 set. 2017
“Biografia de político russo excêntrico beira a ficção”
caderno Ilustrada, Folha de S.Paulo, out. 2013
Eduard Limonov é um herói. Político de pouca expressão na Rússia e opositor do presidente Vladimir Putin, ele acumula façanhas de personagem da ficção. Gangues adolescentes, maratonas etílicas e tentativas de suicídio somam-se, em seu percurso aventuroso, a exílio, uma mulher ninfomaníaca, clandestinidade, meditação.
O russo, personagem de carne e osso, é protagonista de "Limonov", biografia vencedora em 2011 do prêmio Renaudot, o segundo mais importante da França. Quem narra sua história é o escritor e diretor francês Emmanuel Carrère, 55, de "O Bigode" e "Um Romance Russo".
Carrère, que participou em 2011 da Festa Literária de Paraty, incorpora à narração da vida de Limonov suas impressões sobre ele. "Não acredito em terceira pessoa para esse tipo de livro. Não acredito em objetividade", diz.
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Revista Mais
revista customizada do Pão de Açúcar, editada pela Trip, 2009 - 2012
páginas de uma reportagem e um perfil publicados na revista
Revista Bravo!
Reportagens e edição, 2007 - 2013
Páginas da reportagem sobre os diários de guerra de Guimarães Rosa. Vencedora do Prêmio Abril de Jornalismo - Reportagem em 2008